O que os mercados de futuros revelam sobre o preço da energia em 2027

Empresas com contratos de preço fixo a terminar em 2026/2027 serão as mais afetadas, enfrentando renovações com valores estruturalmente mais elevados.

Para muitas empresas, a gestão energética continua a estar associada à negociação de contratos de fornecimento e à procura do melhor preço possível para a eletricidade.

No entanto, num contexto energético cada vez mais volátil, compreender a evolução dos mercados tornou-se tão importante quanto analisar os consumos.

Embora o mercado de futuros não permita determinar o preço final que uma empresa irá pagar pela eletricidade, mostra o valor a que é possível contratar energia para um determinado período futuro naquele momento. Por isso, constitui um importante indicador da evolução do mercado e das expectativas dos agentes relativamente aos custos energéticos.

O que é o mercado de futuros de eletricidade?

Ao contrário do mercado diário (spot), onde a eletricidade é transacionada para consumo no dia seguinte, os mercados de futuros permitem negociar energia com meses ou anos de antecedência.

O preço apresentado no OMIP corresponde ao valor da transação nesse momento para o período contratado. No entanto, esse não é o preço final pago pela empresa, uma vez que ao contrato acrescem normalmente outros custos e as condições comerciais definidas pelo fornecedor de energia.

Estes preços incorporam múltiplos fatores, incluindo a evolução da procura energética, a disponibilidade de geração, o enquadramento regulatório e o comportamento dos mercados internacionais de combustíveis.

Por essa razão, os mercados de futuros são frequentemente utilizados como um indicador antecipado das tendências energéticas.

OMIP vs OMIE: a distinção que poucas empresas conhecem

Curiosamente, o impacto mais severo sente-se no mercado de futuros (OMIP) e não no mercado diário (OMIE).

Isto significa que as empresas com contratos de preço fixo a terminar em 2026/2027 serão as mais afetadas, enfrentando renovações com valores estruturalmente mais elevados. Olhando para os contratos negociados no OMIP para 2027, os valores-base já descontam a incerteza geopolítica e a pressão sobre os preços do gás natural. A estes valores acrescem normalmente prémios de risco, custos de comercialização e outros fatores que podem aumentar significativamente o preço final apresentado ao cliente, o que torna a exposição ao mercado de futuros particularmente onerosa para a indústria.

A competitividade energética das empresas começa quando decidem deixar de estar expostas aos mercados e às oscilações diárias, semanais ou mensais, que dependem mais de fatores geopolíticos do que da própria procura e oferta.

Porque continua o gás natural a influenciar o preço da eletricidade?

Quando a produção renovável não é suficiente para satisfazer a procura, as centrais a gás são frequentemente chamadas a produzir energia adicional. Como consequência, o custo do gás continua a influenciar o preço marginal da eletricidade.

Isto significa que fatores externos, como tensões geopolíticas, alterações nos fluxos internacionais de gás ou restrições de abastecimento, podem refletir-se nos preços energéticos muito antes de chegarem às faturas dos consumidores.

O que podem significar os atuais sinais do mercado?

Os preços observados nos mercados de futuros para os próximos anos sugerem que a volatilidade energética continuará a ser um fator relevante para a indústria. Mais do que uma questão de consumo, o desafio passa pela exposição ao mercado.

Duas empresas com necessidades energéticas semelhantes podem enfrentar custos muito diferentes dependendo do seu nível de dependência da eletricidade adquirida externamente e da sua capacidade para gerir o risco energético.

Da compra de energia à gestão do risco energético

Durante muitos anos, a principal preocupação das empresas foi encontrar o fornecedor de eletricidade mais competitivo. Hoje, essa abordagem já não é suficiente.

A energia passou a ser um fator estratégico que influencia diretamente a competitividade, a previsibilidade financeira e a resiliência operacional das organizações.

Num contexto em que os mercados energéticos permanecem expostos a fatores económicos, regulatórios e geopolíticos, a capacidade de reduzir a exposição ao mercado pode tornar-se tão importante quanto o próprio preço da eletricidade.

Uma questão de previsibilidade

Ninguém consegue prever com total precisão a evolução dos preços da energia nos próximos anos.

No entanto, os mercados de futuros oferecem sinais importantes sobre as expectativas do setor e ajudam as empresas a tomar decisões mais informadas.

Para a indústria, o desafio já não passa apenas por consumir menos energia. Passa também por criar modelos energéticos mais resilientes, previsíveis e preparados para responder a um mercado em constante transformação.

Neste novo paradigma energético, a Prosolia Energy posiciona-se como um parceiro estratégico da indústria, ajudando as empresas a passar de um modelo baseado na compra de energia para um modelo baseado na gestão ativa do risco energético e na criação de sistemas energéticos próprios, mais resilientes e previsíveis.